As “SOLVERS”: investie em soluções para as alterações climáticas

5 min para ler 1 jun 21

A necessidade urgente de se tomar medidas para combater as alterações climáticas pode revelar-se um tema determinante para os investidores mundiais nos anos 20 do século XXI, o que colocará na ribalta as empresas líderes em matéria de sustentabilidade.

Queira por favor consultar o glossário para uma explicação sobre os termos de investimento utilizados ao longo deste artigo.

Quando os investidores refletirem sobre os anos de 2010, uma tendência provavelmente sobressairá entre as demais: o crescente domínio das “Big Tech”.

Na última década, verificou-se o florescimento das empresas tecnológicas dos EUA.  Assumiram posições de liderança nas respetivas áreas, como rede sociais e pesquisas online, assim como revolucionaram outros mercados.

Este crescimento é personificiado pelas designadas ações “FAANG”: Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Alphabet (a empresa-mãe da Google). Com o aumento da confiança nas suas perspetivas a longo-prazo, os preços destas ações – bem como dos respetivos pares – subiram fortemente durante a década de 20101. Esta tendência acentuou-se ainda mais durante os confinamentos registados em 20202, quando a sociedade mundial ficou mais dependente da tecnologia para fins profissionais e de lazer, o que impulsionou o mercado bolsista dos EUA para novos máximos históricos3.

Independentemente do facto de as “Big Tech” continuarem ou não a sua ascensão, existe um tema emergente que penso que irá definir os mercados globais ao longo da próxima década: o advento da sustentabilidade como uma prioridade imediata e estrutural para os investidores.

O imperativo da sustentabilidade

A verdade é que não é possível continuar a adiar ações transformativas ao nível das alterações climáticas.

As Nações Unidas calcularam4 em 2019 que as emissões globais teriam de diminuir 7% ao ano, em média, entre 2020 e 2030 para limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5 graus celsius – um nível ao qual os riscos e as consequências das alterações climáticas são menores. Para atingir esta meta prevista no Acordo de Paris de 2015, temos de alcançar a neutralidade carbónica a nível mundial até 2050.

A superação deste desafio vai obrigar a reduções profundas e de longo alcance nas emissões em todas as vertentes da economia, ao longo desta década. Considero que existem três áreas principais onde as empresas podem contribuir de forma significativa para o combate às alterações climáticas.

A primeira diz respeito a atividades ou produtos que reduzem diretamente as emissões, mediante a substituição de insumos intensivos em carbono por alternativas renováveis ou mediante a conceção de componentes e sistemas que melhoram a eficiência energética. O segundo grupo de empresas são aquelas cujas soluções tornam a indústria e os transportes – que representam 35% do conjunto das emissões globais – menos poluentes. O terceiro conjunto de empresas é composto por aquelas que contribuem para uma economia mais circular reduzindo o desperdício e promovendo a reutilização dos materiais.

As “SOLVERS”

No que diz respeito à transição para uma economia com baixas emissões e eficiência de recursos, as empresas europeias estão na vanguarda.

Tal não deverá constituir uma surpresa, dado que a Europa tem tomado indiscutivelmente mais medidas5 do que outras economias para atacar as causas das alterações climáticas, criando um ambiente propício ao surgimento de inovações verdes.

As empresas europeias tornaram-se líderes mundiais nos seus domínios. Na minha opinião, esta tendência é encarnada por um grupo pioneiro que desenvolveu soluções para os desafios mais importantes à escala mundial e que poderemos apelidar de “SOLVERS”.

Schneider Electric – A Schneider é líder em sistemas elétricos com eficiência energética, desde dispositivos de baixa tensão a soluções digitais que otimizam processos em edifícios, centros de dados, indústrias e rede. O grupo francês – considerado a “empresa mais sustentável do mundo” em 20216 pela Corporate Knights – possibilitou que os seus clientes evitassem a emissão de 89 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2019, de acordo com as estimativas da empresa7.

Orsted – A Ørsted é líder em energia eólica offshore, tendo construído mais parques eólicos offshore do que qualquer outra empresa no mundo. Ao substituir os combustíveis fósseis por eletricidade gerada pelo vento, a empresa dinamarquesa – que pretende alcançar a neutralidade carbónica até 20258 – calcula que evitou a emissão de 13 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 20209.

Linde – A Linde é líder na produção de gases industriais, desde o oxigénio vital para os hospitais até ao hidrogénio para combustíveis limpos. O grupo alemão e germânico também fornece soluções para o processamento de gás que permite que as empresas melhorem a sua eficiência e reduzam as emissões. As aplicações da Linde permitiram evitar a emissão de aproximadamente 100 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 201910, de acordo com as estimativas da empresa.

Vestas – A Vestas é líder no fabrico de turbinas eólicas, sendo o maior fornecedor e operador de turbinas onshore a nível mundial. Ao permitir que os seus clientes produzam eletricidade de forma eficiente a partir do vento e não de combustíveis fósseis, a empresa dinamarquesa afirma que as suas turbinas evitaram a emissão de 186 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 202011.

EDP Renováveis – A EDP Renováveis é líder em energia verde, gerando 100% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, sobretudo turbinas eólicas. Ao possibilitar a substituição dos combustíveis fósseis, a empresa portuguesa referiu que ajudou a sociedade a evitar a emissão de 19 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 201912.

Rockwool – A Rockwool é líder no fabrico de isolamentos em lã de rocha resistentes a incêndios, que reduzem significativamente a necessidade de aquecimento nas casas e nos escritórios, assim diminuindo o consumo de energia. Ao longo do ciclo da vida dos materiais para isolamento de edifícios que vendeu em 2019, a empresa dinamarquesa estima que poderá ser possível evitar a emissão de 200 milhões de toneladas de CO2 equivalente13.

Smith (DS Smith) – A DS Smith é líder em embalagens sustentáveis, exemplificando o potencial da reciclagem em circuito fechado – um processo mediante o qual os resíduos são recolhidos, tratados e reutilizados para fazer o mesmo produto. Ao utilizar materiais recicláveis nas suas caixas de cartão canelado, a M&G calcula que esta empresa britânica poupa 55 milhões de árvores por ano14.

Tal como o acrónimo “FAANG” é mais simbólico do que completo – há outros gigantes tecnológicos, como a Microsoft, que estão omitidos – a presente lista não é de todo exaustiva. Existem muitas outras empresas na linha da frente do desenvolvimento de soluções sustentáveis, incluindo várias sedeadas na América do Norte.

As empresas europeias – e as soluções que estão a desenvolver – parecem cruciais para colocar as emissões numa trajetória descendente, embora os seus nomes ainda não formem, por enquanto, um acrónimo famoso a nível mundial.

O potencial a longo prazo

As alterações climáticas criam um perigo real e presente ao bem-estar das pessoas e do planeta. Com o crescente reconhecimento da urgência do desafio, penso que empresas como as “SOLVERS” encontram-se bem posicionadas para um crescimento sustentável a longo prazo.

A próxima década constitui uma janela de oportunidade durante a qual ainda estamos a tempo de mudar o rumo das alterações climáticas. Para sermos bem-sucedidos, teremos de alterar o nosso comportamento, mas também teremos de investir fortemente – e com urgência – na transição para uma economia de baixo carbono.

Está em curso uma transição global ao longo de várias décadas para reduzir o impacto da atividade humana, galvanizada pelos esforços para promover uma recuperação mais sustentável no rescaldo da contração económica mundial provocada pela Covid-19. Na Europa, a sustentabilidade encontra-se no âmago do plano de recuperação “Next Generation EU” com um envelope financeiro de 750 mil milhões de euros e que promove investimentos que reduzem as emissões e fomentam as energias renováveis e a eficiência energética.

Os apoios governamentais devem proporcionar ventos de feição para as empresas que consigam acelerar a transição. Mesmo na sua ausência, a sociedade em geral exige produtos e serviços mais sustentáveis.

Não é preciso escolher entre os lucros ou o planeta. Considero que nos casos em que as empresas consigam fornecer soluções para as alterações climáticas, poderão criar oportunidades atrativas para os investidores a longo prazo. Por sua vez, os investidores podem desempenhar um papel na resolução da emergência climática.

As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão. Não nos é possível dar conselhos financeiros. Caso tenha qualquer dúvida sobre a adequação do seu investimento, deverá falar com o seu consultor financeiro. O valor e rendimento dos ativos de um fundo diminuirão e também aumentarão, o que fará com que o valor do investimento desça e suba, pelo que o investidor poderá receber menos do que inicialmente investiu. O desempenho no passado não é indicativo do desempenho no futuro.

Sobre o autor

Randeep Somel tem gerido o M&G Climate Solutions Fund desde que este foi lançado em novembro de 2020. Randeep entrou na M&G Investments em 2005 e geriu os fundos M&G Global Themes e M&G Managed Growth entre 2013 e 2017. Foi designado Associate Portfolio Manager do M&G Positive Impact Fund em 2019 e faz parte do Comité de Equity Impact.

Mais informações:

https://www.mandg.com/investments/private-investor/pt-pt

Esta informação não é uma oferta nem uma solicitação de uma oferta para a aquisição de um investimento em acções em nenhum dos Fundos aqui referidos. As Aquisições de um Fundo deverão ter por base o Prospecto actual. O Acto de Constituição, Prospecto, Informações Fundamentais destinadas aos Investidores, Relatório de Investimento e Demonstrações Financeiras, estão disponíveis gratuitamente na M&G International Investments S.A. Antes de subscreverem títulos, os investidores devem ler o Prospeto, que inclui uma descrição dos riscos de investimento relativos a estes fundos. Esta divulgação financeira é publicada pela M&G International Investments S.A. Sede: 16, boulevard Royal, L 2449, Luxembourg. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, (a “CMVM”) recebeu a notificação do passaporte, nos termos da Directiva 2009/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho e do Regulamento da Comissão (EU) 584/2010, permitindo que o fundo seja distribuído ao público em Portugal.
Por Randeep Somel

Related insights