Investir no bem: Como procurar um impacto ‘real’

5 min para ler 25 fev 21

Ben Constable-Maxwell, Responsável de Investimento Sustentável e de Impacto na M&G Investments

Queira por favor consultar o glossário para uma explicação sobre os termos de investimento utilizados ao longo deste artigo.

Uma pesquisa rápida da expressão “investimento de impacto” no Google apresenta mais de 300 milhões de resultados. Muito poucos serão relevantes, obviamente, mas isto mostra bem que não há falta de opções quando se procura investir com um propósito, mas também para ter lucro.

Contudo, a proliferação de produtos suscita um problema. Com tanta escolha, como escolher a opção certa para si? Antes disto, há ainda outro desafio a superar. Como distinguir fundos de impacto genuínos dos fundos que disfarçam aquilo que são? 

Quando se pretende obter um verdadeiro impacto com um investimento, há algumas qualidades chave que, a meu ver, poderá procurar.

Analise as intenções

Um bom lugar para começar é nos objetivos do fundo. Um fundo de impacto idóneo deverá ter os seus objetivos não financeiros fortemente marcados no seu ADN. Em vez de serem uma reflexão a posteriori ou uma ideia de segundo plano, os objetivos relacionados com o impacto devem estar, no mínimo, ao mesmo nível dos objetivos financeiros.

Esta tónica na concretização de um impacto deve, obviamente, ter reflexo naquilo em que o fundo investe. Quando se trata de abordagens que investem em títulos de empresas cotadas, o impacto para os investidores no fundo será função do impacto obtido pelas empresas da carteira.

Para escolher títulos de impacto, os gestores de fundos poderão tentar avaliar em que medida as empresas procuram explicitamente lidar com questões de índole social e ambiental. O seu impacto deve ser intencional, e não acidental, e deve refletir-se em atos e em palavras.

Considere o processo

Como qualquer estratégia de investimento, deverá haver um enquadramento robusto e repetível que permita avaliar de forma consistente a lógica para efetuar potenciais investimentos. Quando se investe em ações para obter impacto, deverá contar-se com várias etapas.

Importa sublinhar que se trata sempre de mais do que meramente excluir determinados setores que são nocivos, como o tabaco, ou empresas cujos processos obtêm baixas classificações no que toca a medidas não financeiras, como poluição ou corrupção. Este “rastreio” é, muitas vezes, útil, mas penso que se trata apenas de um primeiro passo.

Os investidores de impacto devem identificar explicitamente e medir o impacto positivo que uma empresa obtém. Uma das formas consiste em medir o impacto face aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Os ODS são uma articulação universalmente reconhecida dos desafios mais prementes que se colocam às pessoas e ao planeta, desde a eliminação da pobreza ao combate às alterações climáticas. 

Podemos fazer um levantamento das atividades de uma empresa relativamente a um Objetivo principal, assim como relativamente a quaisquer Objetivos secundários relevantes, e quantificar o contributo dado para a sua concretização. Penso que não devemos olhar meramente para os progressos conseguidos pelas empresas relativamente aos ODS através dos seus próprios produtos e serviços, mas também para o modo como possibilitam às outras empresas a concretização de um impacto positivo.

Seguidamente, combinando a lógica do investimento de impacto com a lógica do investimento financeiro, os gestores de fundo podem selecionar empresas com potencial para proporcionarem um crescimento lucrativo juntamente com um impacto positivo.

Foco nos resultados

A avaliação do impacto dos seus investimentos é um princípio fundamental do investimento de impacto. Penso que os investidores devem esperar, da parte dos gestores de fundos, uma medição e a comunicação do impacto obtido.

No entanto, a medição do impacto do investimento em ações não é uma ciência exata, e há uma série de abordagens. Algumas procuram apurar o impacto que o investidor pode ter – litros de água poupados, por exemplo, ou até vidas – por cada £10.000 investidos num fundo. Penso que há aqui um perigo de simplificação exagerada e de “adivinhação”.

A não ser que se esteja a investir com vista a um objetivo de impacto específico como, por exemplo, a redução das emissões de carbono, será que faz realmente sentido agregar os impactos das empresas ao nível de uma carteira? Fazê-lo seria, na melhor das hipóteses e em minha opinião, desprovido de sentido e, na pior das hipóteses, pouco honesto.  

Penso que será mais útil focarmo-nos no impacto de cada empresa, avaliando o modo como o seu desempenho está alinhado com o ODS mais relevante, assim como a maturidade do negócio. Ao estabelecer indicadores-chave de desempenho que sejam relevantes para a obtenção de um impacto por parte da empresa relativamente ao dito ODS, podemos avaliar se estamos a dar um contributo positivo através do nosso investimento.  

Qualquer que seja a forma como os gestores de fundos medem o impacto, a transparência para com os investidores é crucial. Ao partilharmos aquilo que consideramos ser um impacto – e ao continuarmos a desenvolver a forma como o medimos – podemos tornar mais clara a distinção entre um “verdadeiro” investimento de impacto e um mero “greenwashing”, ou seja, uma atribuição indevida de virtudes ambientais a um determinado investimento. 

Ao decidir como investir, há que ter em mente que o valor dos investimentos aumenta e diminui. Por isso, o valor dos seus investimentos flutuará ao longo do tempo e poderá receber menos do que o montante que investiu inicialmente.

As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão. Não nos é possível dar conselhos financeiros. Caso tenha qualquer dúvida sobre a adequação do seu investimento, deverá falar com o seu consultor financeiro.

Esta informação não é uma oferta nem uma solicitação de uma oferta para a aquisição de um investimento em acções em nenhum dos Fundos aqui referidos. As Aquisições de um Fundo deverão ter por base o Prospecto actual. O Acto de Constituição, Prospecto, Informações Fundamentais destinadas aos Investidores, Relatório de Investimento e Demonstrações Financeiras, estão disponíveis gratuitamente na M&G International Investments S.A. Antes de subscreverem títulos, os investidores devem ler o Prospeto, que inclui uma descrição dos riscos de investimento relativos a estes fundos. Esta divulgação financeira é publicada pela M&G International Investments S.A. Sede: 16, boulevard Royal, L 2449, Luxembourg. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, (a “CMVM”) recebeu a notificação do passaporte, nos termos da Directiva 2009/65/CE do Parlamento Europeu e do Conselho e do Regulamento da Comissão (EU) 584/2010, permitindo que o fundo seja distribuído ao público em Portugal.
Por Ben Constable-Maxwell

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