Metas baseadas na ciência – uma ferramenta para alinhar os investimentos com o Acordo de Paris

3 min para ler 7 fev 24

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A limitação dos piores efeitos das alterações climáticas irá exigir uma redução significativa e urgente das emissões. Uma das opções das empresas para cortar as emissões e contribuir para a concretização dos objetivos do Acordo de Paris é definir metas baseadas na ciência para a redução das emissões. Nesta nota, explicamos como funcionam as metas baseadas na ciência e refletimos sobre o papel importante que desempenham na gama de fundos de investimento Paris Aligned da M&G.

O valor dos investimentos irá flutuar, o que fará com que os preços diminuam e aumentem. Poderá não recuperar o montante inicialmente investido. As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão. Não nos é possível dar conselhos financeiros. Caso tenha qualquer dúvida sobre a adequação do seu investimento, deverá falar com o seu consultor financeiro.

O que são as metas baseadas na ciência?

As metas baseadas na ciência são metas para a redução das emissões das empresas, que se considera que estão em linha com a ciência climática mais recente. Por outras palavras, refletem reduções das emissões ao ritmo necessário para limitar o aquecimento global a 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais, em linha com os objetivos do Acordo de Paris. As metas baseadas na ciência são definidas tendo em conta um ano de base, que serve de referência para as empresas medirem as suas reduções de emissões. As empresas também estabelecem um ano específico para atingir a sua meta. As metas podem ser de curto prazo (normalmente, um prazo de 5 a 10 anos) ou de longo prazo (um prazo superior a 10 anos, com o objetivo de atingir a neutralidade carbónica até, no máximo, 2050, para a maioria das indústrias). As metas baseadas na ciência abrangem as emissões absolutas de Âmbito 1 e 2 – as emissões resultantes das operações de uma empresa e as emissões resultantes do calor e energia utilizados pela empresa. Além disso, podem cobrir as emissões de Âmbito 3, que são emissões relacionadas com os produtos ou serviços de uma empresa, mas que são produzidas por fontes fora do controlo da empresa (por exemplo, os seus fornecedores ou clientes).

A iniciativa das metas baseadas na ciência

Uma opção para as empresas que pretendem definir metas baseadas na ciência é aderirem à iniciativa Metas baseadas na Ciência (“Science Based Targets Initiative – SBTi)”. A organização trabalha com empresas a fim de avaliar e validar as suas metas, sendo que também presta apoio técnico, sempre que necessário. No final de 2022, mais de 4000 empresas que representam mais de um terço da capitalização do mercado mundial já tinham definido ou assumido o compromisso de definir metas no quadro da SBTi. 

Contudo, importa assinalar que existem outras opções para as empresas que pretendem definir metas para a redução das emissões em linha com o ritmo necessário para limitar o aquecimento global. A SBTi constitui um quadro amplamente aceite, mas os investidores não devem menosprezar empresas que optaram por outra via para definir as suas metas. É possível avaliar a ambição e os progressos de uma empresa rumo às metas definidas fora do quadro da SBTi.

O papel das metas baseadas na ciência nos fundos Paris Aligned da M&G

As metas baseadas na ciência são parte integral do processo de investimento da gama de fundos de investimento Paris Aligned da M&G. A nossa expectativa é que pelo menos 90% da participação em cada fundo tenha metas baseadas na ciência em vigor até 2025. Incentivamos todas as empresas nas quais investimos a definirem metas baseadas na ciência, independentemente do nível de emissões produzidas e independentemente se providenciam ou não soluções climáticas que possibilitam que os seus clientes reduzam as emissões.

É encorajador verificar que, dentro de cada um dos nossos fundos Paris Aligned, a vasta maioria das emissões absolutas estão abrangidas por metas baseadas na ciência, devido ao facto de grande parte dos nossos maiores emissores ter definido ou assumido compromissos para com metas baseadas na ciência no quadro da SBTi.

Um sinal de compromisso

Quando uma empresa define metas baseadas na ciência, tal diz-nos que a empresa está empenhada em concretizar os objetivos do Acordo de Paris a longo prazo, reduzindo as emissões a um ritmo que a ciência climática mais recente sugere que é necessário para limitar os piores efeitos do aquecimento global. O processo SBTi implica o desenvolvimento de um plano de descarbonização específico com passos práticos e, assim que ratificado, a obrigatoriedade de comunicar os progressos anualmente. Estes requisitos ajudam a garantir que as empresas estão comprometidas para com a descarbonização, em vez de só fazerem promessas vãs.

Figura 1: Elegibilidade da empresa

Elegibilidade da empresa

Temos em conta as metas baseadas na ciência quando avaliamos a elegibilidade de uma empresa para os nossos fundos. Exigimos que as empresas com uma intensidade de carbono (uma medida das emissões por milhões de dólares de vendas) acima de 50% da referência tenham definido ou assumido o compromisso de definir metas baseadas na ciência. Classificamos estas empresas como “empresas que reduzem a intensidade”. No entanto, incentivamos todas as empresas nas quais investimos a definirem metas, mesmo que emitam poucas emissões.

Envolvimentos em matéria de descarbonização

As metas baseadas na ciência têm sido um tema recorrente do diálogo que mantemos com as empresas nas quais investimos, independentemente do seu posicionamento no seu percurso de descarbonização. Na gama de fundos Paris Aligned da M&G, o nosso diálogo com as empresas tem passado por:

  • Solicitar às empresas que façam um levantamento das emissões, incluindo emissões de Âmbito 3, como pré-requisito para a definição de metas baseadas na ciência
  • Incentivar as empresas a assumir compromissos para com metas baseadas na ciência e levar por diante o objetivo de ter as suas metas ratificadas pela SBTi
  • Exortar a uma estratégia de descarbonização da empresa claramente articulada, incluindo marcos mensuráveis com vista à consecução das metas
  • Solicitar às empresas que comuniquem ao público o alinhamento do seu CAPEX com a sua estratégia de descarbonização, ao mesmo tempo que procuramos um alinhamento com a atividade de lobbying, tanto da empresa quanto das suas organizações industriais
  • Incentivar que a remuneração dos executivos esteja associada a metas de descarbonização e a outras metas em matéria de sustentabilidade, garantindo, ao mesmo tempo, a existência de uma governação clara para as estratégias climáticas
  • Discutir os progressos das empresas rumo às suas metas e, porventura, definir metas mais ambiciosas

Avaliação constante

A descarbonização é um processo a longo prazo e não esperamos reduções lineares das emissões de um ano para o outro. Ao invés, é provável que as empresas se deparem com alguma volatilidade à medida que procedem a alterações, como a mudança para energias renováveis ou o lançamento de um processo mais eficiente. Contudo, é importante responsabilizar as empresas beneficiárias do investimento. É por isso que avaliamos constantemente os progressos rumo às metas e dialogaremos com as empresas, se considerarmos necessário. Além disso, também tecemos comentários sobre os progressos das empresas nos nossos relatórios anuais sobre as emissões dos fundos.

Figura 2: Envolvimento ao longo dos percursos de descarbonização das empresas nas quais investimos

O Acordo de Paris: uma definição

O Acordo de Paris é um tratado juridicamente vinculativo sobre as alterações climáticas. Foi adotado por 196 Partes na Conferência da ONU sobre as Alterações Climáticas (COP21) em Paris, França, a 12 de dezembro de  2015. Entrou em vigor a 4 de novembro de 2016. O seu objetivo geral é manter “o aumento da temperatura média global futura bem abaixo dos 2 ºC acima dos níveis pré-industriais” e envidar esforços “para limitar o aumento da temperatura a 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais.”

O valor e rendimento dos ativos do fundo diminuirá e também aumentará, o que fará com que o valor do seu investimento diminua e aumente. Não há qualquer garantia de que o fundo alcance o seu objetivo, e o investidor poderá recuperar um valor inferior ao montante que inicialmente investiu.

As opiniões expressas neste documento não devem ser consideradas como sendo uma recomendação, conselho ou previsão. Saiba que a M&G Investments não pode dar-lhe aconselhamento financeiro. Caso tenha qualquer dúvida sobre a adequação do seu investimento, deverá falar com o seu consultor financeiro.

Por John William Olsen e Rory Alexander

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